Blog

Tecnologia que possibilita retomar sonhos

08 de julho de 2020

Tecnologia que possibilita retomar sonhos

Recentemente ganhou repercussão nacional a boa notícia de que o maestro João Carlos Martins voltou a tocar piano. Mesmo após uma série de cirurgias e reabilitações ao longo da vida para vencer muitos problemas que afetaram o movimento de suas mãos, foi só no final de 2019 que o pianista decidiu interromper sua carreira. O que ele não esperava, no entanto, é que um admirador de seu trabalho seria o responsável por desenvolver uma luva biônica que lhe possibilitaria voltar a tocar.


Sem nem conhecer pessoalmente o artista, o designer industrial Ubiratan Bizarro Costa decidiu criar uma luva com tecnologia 3D para presentear o músico. Acostumado com tantas pessoas que o procuravam com a promessa de curas milagrosas, inicialmente o pianista teve certa desconfiança, mas a verdade é que bastou provar as luvas para perceber que algo diferente havia sido criado.


O criador da mão biônica fez um primeiro protótipo baseado apenas em fotos e vídeos das mãos do pianista. “Assisti a imagens em que ele toca para entender os movimentos e, a partir disso, tirei as medidas, fazendo uma proporção. A ideia foi fazer uma adaptação para que as mãos dele tocassem o teclado”, explica o designer.


Foram cinco meses de trabalho, com várias adaptações, até chegar ao formato atual. Com o uso de tecnologia de suspensão automotiva, o designer desenvolveu hastes de aço que, posicionadas sobre os dedos e presas a uma placa de fibra de carbono, funcionam como molas. Quando o pianista pressiona as teclas, as hastes flexíveis fazem uma impulsão para que seus dedos sejam movimentados para cima, pois o músico não possui essa mobilidade. “No meu auge como pianista eu chegava a fazer 21 notas por segundo e quando comecei a tocar apenas com o polegar eu brincava dizendo que a cada 21 segundos eu faria uma nota. Então agora eu estou recomeçando como se fosse um menino de oito anos”, comenta o pianista, esbanjando felicidade. 


Avanços na área impressionam


Embora seja um projeto simples, sem grandes tecnologias robóticas envolvidas, a luva biônica desenvolvida para o maestro João Carlos permitiu que ele retomasse a maior paixão de sua vida. E é justamente isso que tem motivado equipes de engenharia ligadas à ciência e profissionais da saúde a concentrarem esforços para possibilitar feitos tecnológicos que possam transformar a vida das pessoas.


Na Suíça, cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne chegaram a um feito surpreendente. Por meio de tecnologia robótica e neuroengenharia, foram capazes de criar uma prótese biônica que capta os comandos enviados pelo cérebro dos usuários com resposta mais rápida do que a mão humana. A tecnologia desenvolvida pela equipe funciona da seguinte forma: sensores são posicionados no coto do membro amputado e com isso a atividade muscular é captada quando os pacientes tentam fazer um determinado movimento.


Por meio do sistema de machine learning, os impulsos neuromusculares são registrados por sensores, que permitem, ainda, que esses sinais sejam interpretados e memorizados. Assim, a mão biônica apresenta percepção mais apurada dos movimentos, com maior controle e exatidão. E o resultado é mesmo impressionante. Enquanto precisamos de alguns milissegundos para agir e evitar que algo caia de nossas mãos, a prótese criada pelos cientistas franceses consegue estabilizar o objeto antes mesmo que o cérebro registre essa informação.


Para o biomédico Michael Beyeler, que se dedica a um pós-doutorado na Universidade de Washington, a busca é pela criação de softwares e códigos que possam ser acionados por uma interface entre cérebro e computador. Tudo isso com o objetivo de criar um olho biônico para restaurar a visão de cegos. Um dos pontos do estudo refere-se ao implante de retina, para que seja possível restaurar o senso de visão até mesmo em pessoas com condições degenerativas severas. E o ponto-chave em meio a todo esse processo ficaria por conta de uma câmera externa responsável por capturar imagens e enviá-las para o implante então instalado. 


Embora já existam alguns modelos de prótese oculares, o objetivo de Beyeler é otimizar a forma como os dispositivos interagem com o sistema visual por meio de novos algoritmos. No momento os estudos já atingiram um ponto de avanço em que as interfaces permitem tratar desordens neurológicas e compreender funções cerebrais. “Agora os engenheiros desenvolveram maneiras de manipular os circuitos neurais com correntes elétricas, luz, ultrassom e campos magnéticos”, explica Beyeler.

 
Revista Elofar Vida | Jornalista Thais Lentz

COMPARTILHAR NOTÍCIA