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Pele sensível e menos hidratada no inverno

30 de julho de 2020

Pele sensível e menos hidratada no inverno

A chegada do inverno traz consigo algumas preocupações. Nas regiões mais frias do País, é comum a manifestação de doenças como gripe, bronquite, pneumonia, asma, sinusite, entre outras. Mas o que muitos não sabem é que, além dos problemas respiratórios, o inverno também é um período propício ao aparecimento de doenças de pele.

De acordo com estudo publicado no British Journal of Dermatology, as baixas temperaturas são responsáveis por fazer com que as células da primeira camada da pele se encolham. Esse processo de retração celular seria responsável por prejudicar a performance da filagrina, uma proteína fundamental para a hidratação natural da pele e, ainda, para a proteção contra microrganismos.

O estudo analisou a pele de 40 homens e 40 mulheres durante o período do verão e do inverno. Nenhum deles apresentava histórico de dermatite, psoríase, doenças inflamatórias, asma ou rinite. O resultado da pesquisa revelou a diminuição da capacidade de hidratação da pele no inverno, especialmente em áreas como bochechas e mãos, onde há menor presença de filagrina. “Esse estudo mostra claramente que a barreira da pele é afetada por mudanças climáticas e sazonais”, defende o pesquisador Jacob Thyssen, professor do departamento de dermatologia e alergologia da Universidade de Copenhague, diretamente envolvido com a pesquisa.

Thyssen aponta que são muito comuns no inverno casos de bochechas rosadas em crianças, adultos e idosos, o que pode levar a condições mais permanentes da pele, como eczema atópico e rosácea. “Com o uso de alta ampliação, mostramos que as células da pele sofrem com o encolhimento e, portanto, alteram sua superfície. A mensagem clínica para os indivíduos é que devem proteger sua pele com emolientes no inverno ”, destaca o professor.

O resultado do estudo reforça o que boa parte da população vivencia durante a estação mais fria do ano, com casos de ressecamento da pele, escamação, vermelhidão e hipersensibilidade. Portanto, é possível afirmar que a queda das reservas de filagrina interfere na eficácia da proteção natural da nossa pele, o que aumenta as chances de aparecimento de processos inflamatórias, alergias e coceiras.


Outros fatores de risco comuns no inverno


A diminuição da umidade do ar e a preferência por banhos quentes interferem ainda mais na proteção da barreira hidrolipídica que protege nossa epiderme. O resultado disso é ainda mais vermelhidão, descamação e coceira, conforme destaca a dermatologista Valéria Marcondes, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

A médica lembra que a pele de todo o nosso corpo sofre com o inverno. Já o lábio é especialmente afetado, por ser uma mucosa de alta sensibilidade. O couro cabeludo, por sua vez, sofre com escamações decorrentes dos banhos quentes. É justamente por isso que a médica lembra o quanto se faz necessário alguns cuidados no inverno, como evitar banhos escaldantes e demorados. “A água em alta temperatura retira a oleosidade e favorece o aparecimento da dermatite seborreica. Esfregar muito a pele com bucha também agride demais os tecidos e a resseca ainda mais”, esclarece. A especialista recomenda a hidratação constante, mesmo para as pessoas que tenham pele oleosa. Isso porque oleosidade não é sinônimo de hidratação.

Produtos à base de dexpantenol, uma pró-vitamina B5, são indicados para proteção e nutrição da pele, inclusive dos lábios, especialmente para pessoas que fazem uso de isotretinoína, medicamento bastante utilizado para combater casos crônicos de acne.

Para a dona de casa Lerides dos Santos, hidratação é a palavra de ordem. Moradora de Chapecó, no oeste de Santa Catarina, cidade onde a temperatura no inverno chega facilmente perto de zero grau, ela conta que o filho Gustavo, de nove anos, sofre muito com coceiras durante o inverno. Diagnosticado com dermatite, frequentemente apresenta coceiras nas dobras das pernas durante as estações mais quentes, enquanto no inverno o quadro é diferente: são as mãos da criança que coçam de forma intensa. “Quando começa a ficar mais frio, a coceira nas mãos vai aparecendo e a pele fica com uma textura grossa. Ele reclama bastante pelo incômodo da coceira e também por machucar a região ao coçar”, explica Lerides. Ela conta que passa pomadas e constantemente hidrata a região com cremes, para evitar maiores danos à pele.

 
Comunicação Elofar

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